sexta-feira, 2 de março de 2012

O Casamento dos Camponeses (1567) de Pieter Bruegel, o Velho

O Renascimento é um movimento que surge na Itália e espalha pela Europa. O Casamento dos Camponeses foi pintado na Holanda em 1568 por Pieter Bruegel, o Velho (nome dado, claro, depois que o filho começou a ter pinturas representativas). Ele se dedicava a pinturas realistas, muitas vezes usando da sátira e a retratar os camponeses. Nesse período, eram poucos os artistas que, na Europa, pintavam quadros tendo camponeses como tema, os mais comuns eram a realeza e o clero e também as representações religiosas.






Vamos analisar o quadro agora. Primeiro, imagine-se no quadro, tente imaginar que as pessoas estão conversando e o que estariam conversando nessa ocasião? O que vocês conversam em uma festa de casamento.

A noiva é fácil de localizar, ela está sob o dossel (Armação saliente, forrada de damasco ou de outro estofo, e franjada, que se coloca como ornato sobre altares, tronos, camas etc, Dicionário Michaelis) que é representado pelo tecido verde, ela é a figura central da imagem. Do lado do dossel há um ornamento com duas palhas e um ancinho, representendo o duro trabalho que os camponeses tiveram.

O noivo não ficava perto da noiva (nem beijos públicos aconteciam. O beijo era algo muito mais íntimo). Há duas pessoas possíveis de ser o noivo: a primeira é a do homem derrubando a cerveja em primeiro plano ou o homem conversando com o monge, na ponta da mesa, há uma terceira opção, que é a mais possível: o noivo não está na cena, devido à tradição da época. O monge, aliás, deve ter realizado o culto, já que agora estamos na festa. Mas, geralmente o noivo não se sentava à mesa e as vestes desse senhor são de uma pessoa muiuto rica, ele pode ser um nobre, mantendo contatos somente com o clericato. Ou pode ser o próprio Pieter Brugel.

Em primeiro plano, enquanto os outros servem a comida (panquecas bem secas) aos convidados, um garotinho vestido com ceroulas lambe o prato (literalmente). Nessa época, também servia-se pão, mingau e sopa. Há dois gaiteiros que tocam um instrumento típico flamengo chamado pijpzak e um deles parece estar morrendo de fome, olhando disfarçadamente para a comida. Ainda na frente, os homens que servem a comida a trazem em uma porta que está quebrada enquanto no fundo chegam mais pessoas, ao que parece mais interessadas na comida do que no casamento.

O cozinheiro que trouxe a comida tem um detalhe interessante: a perna dele está meio deslocada, mas objetiva a segurar a porta para que o alimento não caia. O pé direito também está com um sapato bem simples, geralmente usado por camponesas.

Abaixo, mais duas versões do quadro.

A primeira é de Pieter Bruegel, o Jovem e foi pintada em 1630. Ela ilustra a mesma cerimônia, mas ao ar-livre.


A segunda é da HQ "Asterix na Bélgica" e está lá no final do álbum (página 53). A versão do quadro foi pintada por um dos dois autores, Albert Uderzo:

Fontes: Wikipédias inglesa, holandesa e alemã

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