domingo, 25 de março de 2012

Tupã, o deus que nunca foi deus

Tupã.
Muitas vezes o que aprendemos na escola é passado de geração para geração, mas o que ocorre na verdade é uma informação errada desde a sua raiz. São poucos casos assim, e esse é um.

Em livros de História do primário (no caso, da 1ª a 4ª séries) é mencionado que Tupã era um Deus do Trovão para os tupis, o que não é a verdade. Depois explico de fato quem ele é, mas primeiro vamos ver da onde se brotou o erro.






Conta Câmara Cascudo no seu Dicionário do Folclore Brasileiro:

"Creio Tupã ou Tupana um deus criado pela catequese católica no séc.XVI e nome imposto pelo hábito às crianças e aos catecúmenos".
No período do Brasil colonial, os jesuítas tinham de procurar alguém à imagem e semelhança de deus tal qual foi feito em Roma com o Sol Invicto. Então, com isso, Tupana (o termo original) foi traduzido como "Deus" e Jurupari como o "Demônio". Jurupari de fato era um deus entre os tupi-guarani, mas Tupã não.

Tupã significa simplesmente "trovão" e de início, pode-se falar que ele era simplesmente a manifestação do sobrenatural, já que o som do trovão é definido como algo fantástico. E Tupana é a mãe do trovão, mas a única a não ter festa para ela.

O culto mais comum em terras brasileiras era o Jurupari, o qual foi transformado em demônio e transformando-o assim, pois se ele fosse o Deus máximo, os pajés acabariam pertecendo à classe sacerdotal da igreja católica. Para isso ser evitado, Jurupari é o dmeônio e ponto final!

Por fim, Tupã nunca teve a função de Deus, era simplesmente o Trovão. Em alguns lugares, ele era visto como o mensageiro do Deus Nhanderuvuçu, o deus surpremo dos tupis-guaranis, é a energia do mundo e não possui uma forma antroporfórmica. Tupã controla o clima, o tempo e o evento e manifesta-se com raios, trovões, relâmpagos, ventos e tempestades.

Fontes:
CASCUDO, Luís da Câmara. DICIONÁRIO DO FOLCLORE BRASILEIRO. Ediouro. 3ª edição. Rio de Janeiro, 1972. Pg.882.
CASCUDO, Luís da Câmara. GEOGRAFIA DOS MITOS BRASILEIROS. Global. 2ª edição. São Paulo, 2002. Pp.57-68.
Wikipédia (PT-BR e ES)

3 comentários:

  1. fiz minha mulher lavar a louça por isso!!!!

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  2. O que escreveste aqui não está propriamente correto. Tupã não era simplesmente o trovão, mas também não era um deus. Os índios tinham seres intermédios ( os maíres: heróis conquistadores) e os espíritos da floresta. Tupã era dos últimos. Aconselho a leitura do livro da Cristina Pompa (Religião como tradução) que é uma tese muito bem formulada sobre o assunto.

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